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7 de outubro de 2009

Irresistíveis, românticos e avassaladores


(Nos dois shows registrados para um novo DVD, celebridades e público vibraram com o carisma da dupla)

Quase não dava para ouvir as vozes de Victor, 34 anos, e Leo, 32, em alguns momentos e o motivo é um que nasceu lá atrás, em fevereiro de 1964 com os Beatles no programa de TV The Ed Sullivan Show. Ou seja, o público, extasiado, grita tanto ou faz uma enorme terceira voz acompanhando os ídolos que o sistema de som pena para se equiparar com a emoção da platéia. Deixando a máquina do tempo para trás, foi mais ou menos assim na quarta-feira (23), no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, na primeira de duas noites de gravação do segundo DVD da dupla, Ao Vivo e em Cores, que teve convidados especiais no Camarote Contigo!. Na quinta-feira (24) aconteceu o segundo show, igualmente lotado.

Ouve isso!

Os ânimos se exaltaram logo na primeira música, Borboletas, um dos hits da dupla, que conversou com Contigo! um dia antes da grande festa (veja boxe na página 60). O enorme público, formado por classes, idades, sexo e estilos dos mais variados, encheu a casa noturna. A atriz Thaís Pacholek, 25, no camarote, não conseguiu conter as lágrimas tamanha era sua emoção. Mesmo longe do namorado, o ator Paulo Nigro, 25, ela deu um jeitinho de dividir o momento com ele. ''Amor, ouve isso!'', gritava ela ao celular para o namorado.

E falando em fã agitada, a pequena Raissa, 12, filha da atriz Patrícia Naves, 44, com o jornalista Mauro Naves, 50, não parava quieta na cadeira. Ela pulava, batia palmas e cantava todas as músicas junto com a dupla. ''Eu fico escutando com as minhas amigas do colégio, eles são nossos 'divos''', confessou a garota. A mãe, Patrícia, confirmou a paixão: ''Lá em casa toca Victor & Leo o tempo todo, eu também gosto muito do som deles. Eles me lembram Simon & Garfunkel'', disse, citando a mais bem-sucedida dupla americana de folk da década de 60.

Desde pequenininho

O ator Sandro Pedroso, 25, namorado de Susana Vieira, 67, cita a música sertaneja como parte de suas raízes, já que nasceu em Ponta Grossa, interior do Paraná. Ele foi acompanhado dos amigos também atores, Nando Rodrigues, 24, e Rodrigo Rolim, 28. ''Quando nos mudamos para o Rio de Janeiro para trabalhar, dividíamos um apartamento e a gente ouvia música sertaneja o dia todo. No meu carro só toca música sertaneja'', conta Nando, lembrando o período que morava junto com Sandro.

Amanda Françozo, 30, e Adriana Colin, 39, e o ator Carlinhos Silva, 29, também fizeram questão de conferir o show e confirmaram o sucesso que a dupla faz entre pessoas de estilos variados. O empresário Álvaro Garnero, 40, resumiu bem o fenômeno Victor & Leo: ''Eles são a Ivete Sangalo de calças, todo mundo gosta!'' Enquanto Victor & Leo arrancavam suspiros da plateia, cantando sucessos românticos como Nada Normal e Fada, o belo palco superproduzido era uma sensação à parte. A grande estrutura foi inspirada no show que o Radiohead trouxe para o Brasil em 2009, composta por um telão de 46 módulos de Led de alta definição que exibia desenhos e imagens relacionadas aos temas do repertório e uma passarela iluminada que deixava os músicos mais perto do público

Fonte: Revista Contigo
Pesquisa: Amanda Cristini

''Temos muitos fãs viscerais, isso é muito legal''



Victor é o mais sério. Mesmo falante, ele sorri pouco, e parece sempre pensar muito antes de responder cada pergunta. O português é corretíssimo. O irmão, Leo, é mais despachado, gosta de falar, faz brincadeiras e fica à vontade com seu tamanho todo (1,94 metro de altura) no sofá. Eles são uma dupla e às vezes até começam a falar ao mesmo tempo. Leo é tão debochado que se permite uma autoironia: ''Gosto de malhar, correr e fazer exercício para pelo menos olhar no espelho e ver que está tudo legal... ou mais ou menos (risos)''. Victor entra no tema e diz que não se acha bonito. Na hora de se vestir, afirma ser mais pragmático do que vaidoso. Claro, é bonito, mas faz a linha low profile.

A dupla, que já está com 17 anos de existência, é um fenômeno: Victor, em 2008, foi o compositor que mais arrecadou direitos autorais no Brasil. A explicação é o público, segundo eles. ''Temos muitos fãs viscerais, muitas mulheres. Mas há também caras que tremem tanto que não conseguem bater uma foto, porque eles gostam da música. Isso é muito legal'', explica Victor.

Os dois nasceram em Abre Campo, uma cidade de pouco mais de 12 mil habitantes, do interior de Minas Gerais. Começaram com dificuldades, circulavam pelo país em uma van em que Leo, altão, ficava no banco dianteiro com o pescoço torcido para a frente. Na época costumavam passar no meio do público para escutar o papo antes do show.

''Ouvíamos as pessoas comentando coisas como 'dizem que um é boiola, dizem que o outro é isso...' Nos divertíamos'', relembra Victor. Hoje, longe dos tempos em que entravam no galinheiro de casa para fazer instrumentos e batucar, os sonhos de consumo da dupla estão resolvidos. Leo comprou uma fazenda em Uberlândia.

Já Victor reflete sobre como são tratados pela família depois da fama: ''As pessoas não o enxergam mais como você é, nem os familiares, tios, que nunca olharam na sua cara e passam a lhe tratar como um rei. Mas não tem realidade ali.Isso vira uma solidão''.

O músico diz que aprendeu que o dinheiro e o trabalho não valem muita coisa se não for para ajudar outras pessoas. ''Em Abre Campo renovamos a Biblioteca. Demos um mamógrafo para o hospital, pois 200 mulheres por ano morrem na zona rural de lá'', explica Victor.

Fonte: Revista Contigo
Pesquisa: Amanda Cristini

 
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